Friday, September 24, 2010

Wednesday, September 22, 2010

Everyone else

Everyone else - Alle Anderen

Wednesday, September 15, 2010

Priceless

Priceless - Pierre Salvadori

Storytelling

Storytelling - Todd Solondz

Tuesday, September 14, 2010

Die Welle

The wave - Dennis Gansel

Monday, July 12, 2010

Courage

"Life shrinks or expands in proportion to one´s courage."

Anais Nin

Thursday, July 1, 2010

Buddha

Do not believe in anything simply because you've heard it. Do not believe in traditions because they have been handed down for many generations. Do not believe in anything because it is spoken and rumoured by many. Do not believe in anything simply because it is found in your religious books. Do not believe in anything merely on the authority of your teachers or elders. But after observation and analysis, when you find anything agrees with reason and is conducive to the good and benefit of one and all then accept it and live up to it.
Buddha, Anguttara Nikaya III, 65.
"Anyone who can make you believe absurdities can make you commit atrocities"

Voltaire

Wednesday, June 23, 2010

Turtles can fly

Turtles can fly - Bahman Ghobadi

Sunday, June 13, 2010

Friday, June 11, 2010

Goethe

"Knowing is not enough;
We must apply.

Willing is not enough;
We must do."

Goethe

Fight obesity


Tuesday, June 8, 2010

The bad Lieutenant

The bad Lieutenant - Werner Herzog

Wednesday, June 2, 2010

Caranguejos portugueses

Jakati, idoso e experiente pescador goês, encontrava-se junto ao mar, capturando alguns saborosos caranguejos para a sua ceia. À medida que os apanhava, atirava-os para um cesto de vime. Um seu jovem amigo aproximou-se e, observando a sua labuta, disse: - “Cuidado, velho pescador! Repara que os caranguejos trepam pelas paredes do cesto, e podem escapar!” - “Não há problema”, disse Jakati, “são caranguejos portugueses!”. - “E então?”, perguntou o jovem. - “Bom, quando um deles está quase a conseguir saltar para fora do cesto … os outros puxam-no para baixo outra vez!!!”

Tradição oral goesa

Monday, May 31, 2010

"Curar é uma arte, a medicina é uma ciência, mas os cuidados de saúde são um negócio."

João Lobo Antunes

Saturday, May 1, 2010

Go Get Some Rosemary

Go get some Rosemary - Josh and Benny Safdie

Monday, April 26, 2010

To build a home

To build a home - Cinematic Orchestra

Monday, April 19, 2010

Dissociação




"(...) a fotografia é o aparecimento de eu próprio como outro, uma dissociação artificiosa da consciência de identidade. (...)”
Roland Barthes - A Câmara Clara

Fotografia: Liliana Laranjo (2010)

Olhar mágico

"(...) Entre os remédios habituais contra a nossa própria miséria, há o amor. Porque aquele que é absolutamente amado não pode ser miserável. Todas as fraquezas são resgatadas pelo olhar mágico do amor, em que até a natação desajeitada, com a cabeça erguida acima da superfície da água, se pode tornar encantadora. (...)"
Milan Kundera - O livro do riso e do esquecimento

O mundo da Fotografia Digital




Sunday, April 18, 2010

Away we go

Away we go - Sam Mendes

Friday, April 9, 2010

Decisions

Being on one side of the desk makes decisions so surprisingly easy... and so difficult to understand what it feels like on the other side...

Wednesday, March 31, 2010

Placebo

"The physician's belief in the treatment and the patient's faith in the physician exert a mutually reinforcing effect; the result is a powerful remedy that is almost guaranteed to produce an improvement and sometimes a cure."

Petr Skrabanek and James McCormick - Follies and Fallacies in Medicine

Sunday, March 28, 2010

Éden


Joana Vasconcelos - Jardim do Éden

Longo


Robert Longo
(Men in the Cities - Untitled, 1980, Charcoal and graphite on paper)

"Normal life"


Photography: Liliana Laranjo (CCB, 2010 - Annemarie Schwarzenbach biography)

BP


Photography: Annemarie Schwarzenbach
(Pormenor) Liliana Laranjo (CCB, 2010)

Contaminação



Contaminação - Joana Vasconcelos
Photography: Liliana Laranjo (CCB, 2010)

Tuesday, March 16, 2010

Calvin and Hobbes... now with Ritalin!



Calvin and Hobbes

Big Fish

Big Fish - Tim Burton

Perfection

"(...) "The intelect of man is forced to choose perfection of the life or of the work."
(A inteligência do homem é obrigada a escolher entre a perfeição da vida ou a do trabalho.)
Yeats

Mas quem poderá negar que há seres de excepção, que conseguem conciliar o que não é conciliável? Esses são os heróis deste mundo. (...)"

João Lobo Antunes - Um modo de ser

Empatia

"(...) É interessante o estudo de Davis e cols., que verificou como se deteriora a qualidade do interrogatório conduzido por alunos no início, em comparação com o seu procedimento no final do curso, e que revela que, à medida que ganham conhecimento científico, perdem qualidade humana; quando inexperientes, o diálogo é mais empático, mais quente, procurando com mais atenção os factores psicológicos e sociais, em contraste com o questionário mais estruturado, mais seco, de perguntas fechadas, do aluno mais avançado. (...)"
João Lobo Antunes - Um modo de ser

Sunday, March 14, 2010

Não há absurdo

"(...) Triunfo da dor. Traição dos olhos, dos ouvidos, da pele. É preciso caminhar, toda a vida, no meio deste deserto. Ver, ouvir. Ouvir, ver. Comer. Rir. Falar, fumar, beber. Cheirar. Procriar. Escrever. Respirar. Ter dores. Sangrar, tremer. Encolerizar-se. Sofrer. Gritar, dormir, esperar. O cansaço está em todo o lado. Não há meio, não, não há meio de lhe escapar. É preciso sofrer, ter calor, ter frio. Acariciar. Gozar. Compreender, compreender sem parar. Todos os dias. Assim, todos os dias, sem excepção. Saborear. Deixar-se levar pelas palavras inúteis, adoptar os ritmos, os hábitos. Procurar as frases, estender os ouvidos e os olhos, estender a pele. Fingir amar, amar, talvez. Tudo isto, mesmo por nada; porque nem sequer há meio de poder recorrer ao nada para determinar a vida; o homem não está sozinho: coisas comuns e gritantes habitam-no, dão-lhe a sua forma. Não há meio de poder julgar. Não há absurdo, porque não há somente divórcio entre o que é e o que devia ser. (...)

J. M. G. Le Clézio - A febre

Landscape


"(...) A paisagem tremia assim, fazendo-se e desfazendo-se infatigavelmente. A beleza calma, estática da terra era feita destas orgias e destas metamorfoses. Não se podia fazer nada. Era preciso contentar-se em olhar, avidamente, com os olhos bem abertos. De pé neste pequeno promontório, com o ruído da ressaca aos pés, era necessário compreender tudo, amar tudo, no espaço de um segundo. (...)"

J. M. G. Le Clézio - A febre
Photography: Liliana Laranjo (Boston, 2010)

Monstros

"(...) A terra é verdadeiramente terrível quando a gente a conhece bem. Os monstros não são raros, não, os monstros não são raros. (...)"

J. M. G. Le Clézio - A febre

Religião

"(...) -Não tenho verdadeiramente religião. Não sou contra o princípio da religião, porque é o único que organiza o sentimento de religiosidade. Mas penso que na maior parte dos casos o espírito religioso passa antes da organização em religião. Quero dizer que o espírito de ascensão pura e verídica para Deus é essencial, enquanto a federação, quero dizer, o conjunto de regras que constitui uma religião como o catolicismo é uma simples contingência. Ora, o que censuro nas diferentes religiões, tanto no cristianismo como no budismo, é que o conjunto ritual impeça o total desabrochamento do indivíduo num Deus que lhe seja próprio. Ela dirige, fabrica proibições, faz-se moral, quando é bem evidente que Deus está além de toda a moral. (...)"

J. M. G . Le Clézio - A febre

Being

"(...) Atingira sem dúvida o ponto exacto, misterioso, em que, a acção pode realizar-se sozinha, sem luta, sem choques, e sem necessidade, em que todo o ser desliza fora de si mesmo, esquecido, derrubadas todas as barreiras, todos os desejos de uma pessoa, o ponto de incoerência suprema onde a realidade vai virar, o verdadeiro deleite com a matéria, em que as sensações já não têm de ser interpretadas, em que o mundo já não aparece, mas onde tudo existe, onde se é tudo, indissoluvelmente, indizivelmente. (...)"

J. M. G. Le Clézio - A febre

Andar

"(...) Pode-se perder o essencial duma vida a andar sem se ser no entanto um homem que anda. É evidente. E, inversamente, pode-se ter andado pouco, ter tido pouco interesse pelo andar, nunca ter sabido andar e ser-se incontestavelmente um homem que anda. Tal é a lei de toda a vida profunda, para quem os seres e as coisas só existem por um desenho próprio, um cumprimento fora de toda a ponderação, de todo o limite, e sem apelo. (...)"

J. M. G. Le Clézio - A febre

Um acordar

" A primeira vez que Beaumont travou conhecimento com a sua dor, foi na cama, devia ser qualquer coisa como três horas e vinte e cinco da manhã. Virou-se no colchão, com dificuldade, e sentiu a resistência dos cobertores e dos lençóis que participavam no seu movimento de rotação, mas de maneira inconveniente, opondo-se-lhe. Como se qualquer mão invisível lhe tivesse torcido os tecidos à volta do tronco e das ancas imóveis. Após alguns minutos, ou alguns segundos, tentou, com os olhos fechados, libertar-se, puxando com a mão esquerda pelas pregas do pijama e pelas franjas dos lençóis. Só conseguiu ficar ainda mais preso, e, invadido pelo mau humor, mergulhou na confusão do que se deveria parecer cada vez mais a um colete-de-forças. Os dois pés furaram ao mesmo tempo e surgiram na ponta da cama, lívidos, mergulhando de repente no frio. Os últimos restos da preguiça, o entorpecimento do sono, sem dúvida, mantiveram-no ainda nessa posição; mas o sentimento dum desconforto dissimulado, um mal-estar muito intelectual e todavia físico, cresceu-lhe no espírito. O cérebro recomeçava a funcionar. Imagens fugitivas, mal traçadas, iluminavam-se e apagavam-se-lhe nas retinas, ao abrigo das pálpebras juntas, como anúncios de néon. (...)"

J. M. G. Le Clézio - A febre

Arte e Ciência

"É difícil fazer arte quando se quer fazer ciência. De certo modo gostaria de ter mais um ou dois séculos para saber."

J. M. G. Le Clézio - A febre

Mordidelas da existência

"(...) É preciso suportar todas as mordidelas da existência, procurando não sofrer demasiado. A vida está cheia de loucuras. Não passam de pequenas loucuras quotidianas, mas são terríveis se repararmos bem nelas.
(...)
Todos os dias perdemos a cabeça por causa de um pouco de temperatura, duma dor de dentes, duma vertigem passageira. Encolerizamo-nos. Gozamos. Embriagamo-nos. Nada disso dura muito tempo, mas é suficiente. A nossa pele, os olhos, os ouvidos, o nariz, a língua, armazenam diariamente milhões de sensações das quais nem uma só é esquecida. Eis o perigo. Somos autênticos vulcões. (...)"

J. M. G. Le Clézio - A febre

Friday, March 5, 2010

Sunday, February 14, 2010

Live and become

Va, vis et deviens - Radu Mihaileanu

Um sonho encantado

The fall - Tarsem Singh

Thursday, January 28, 2010

Marabus


"(...) Pelo caminho o meu amigo Malick Sarr explicou-me a enorme força e riqueza que os marabus religiosos (visto que os curandeiros não têm nenhuma) têm na sociedade senegalesa, pois possuem uma enorme influência no povo e no poder político que os namora. Segundo ele, a função de marabu é familiar e hereditária, e é um freio à mudança e ao desenvolvimento. (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Liliana Laranjo (Senegal, 2009) - A maior Mesquita do Senegal - Tuba

Gestos


"(...) Sei que, como sempre, sentirei que fazemos tão pouco, tão pouco... Infelizmente não podemos transformar o mundo a não ser através destas pequenas acções, podendo dar esperança a alguns. Quem sabe se entre esses alguns haverá quem repita esses mesmo gestos, para que amanhã a esperança não morra. (...)"


Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Sessão de educação para a saúde - Senegal, 2009

Baobab


"(...) há um provérbio que diz que "os embondeiros não têm espinhos", que interpreto como "os grandes não precisam de agressividade". É, indiscutivelmente, muito sábio. (...)"


Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Liliana Laranjo (Senegal, 2009)

Povos


" (...) O Ocidente construiu a sua prosperidade e a sua democracia muitas vezes graças ao seu engenho mas também o conseguiu à custa da exploração e do subdesenvolvimento de muitos outros povos. Também é verdade que a mentalidade das elites desses povos, assim como as suas crenças e fatalidades, participaram na génese e na manutenção desse subdesenvolvimento. Sem a mudança das causas extrínsecas e intrínsecas que afligem essas sociedades, não haverá desenvolvimento possível. O Ocidente, hipócrita e cinicamente, não pode só pôr ênfase nos factores intrínsecos que causam o atraso dessas sociedades, lavando as mãos (...) da sua também grande responsabilidade nessa situação. Por outro lado, os nativos dos países subdesenvolvidos (ou como se queira eufemisticamente chamar-lhes) não podem, sem correrem o risco de se atolarem irremediavelmente na sua miséria, ignorar as suas próprias responsabilidades: só agarrando o seu destino, o seu futuro, assumindo os seus próprios erros e as suas crenças é que terão uma hipótese. O discurso primário, gasto, desculpabilizador, que consiste em pôr todas as culpas no colonialismo, no Ocidente e nos EUA não leva a lado nenhum, embora nesse discurso hajam muitos elementos de verdade. (...)

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Liliana Laranjo (Senegal, 2009)

Saturday, January 23, 2010

Vergonhas


"(...) Tantos países nunca foram o n.º1 salvo na pobreza, na fome e na miséria. Há outros que o são na apatia, na arrogância, no racismo, na intolerância. Quanto à intolerância, não quero deixar de citar os países que considero paradigmas, num passado recente, da arrogância e da intolerância. A Inglaterra, a nossa "mais velha aliada" mas de facto nossa inimiga, que inventou os campos de concentração na terrível guerra dos Boers na África do Sul no final do século XIX e início do século XX. Inglaterra, a do "ultimato" que nos impediu de concretizar o mapa cor-de-rosa que quase exterminou os aborígenes da Austrália (na Tasmânia não sobrou um!). A humilhante Alemanha que industrializou os campos de morte com a conivência da maioria do seu povo. Que o digam os sobreviventes de Dachau, Treblinka, Auschwitz, etc. Dito isto, acredito que todos os povos, se colocados numa posição de hegemonia e de hiperpotência militar, são capazes de todas as derivas. Também nós no Brasil assim como nas antigas colónias em África fizémos coisas muito feias. (...)"


Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Liliana Laranjo (Senegal, 2009) - Destino final para muitos, Casa dos escravos, Ilha de Goreia

Tentar

"O principal é tentar: conseguir é menos importante."

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença

Índios

"(...) Para falar de períodos negros na história dos EUA não nos esqueçamos de que o país da "liberdade" foi aquele que quase exterminou os índios (um verdadeiro genocídio).
(...)
Para falar dos índios não nos esqueçamos que em Cuba (...) e na Argentina foram completamente dizimados. Nos outros países da América Latina, incluindo o Brasil, foram deixados uns poucos para as ilustrações da National Geographic. Toda a razão têm eles para se revoltarem em Chiapas, no México, e na Amazónia. (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença

Haverá país sem História de atentados contra os direitos humanos?

Despertar


"(...) Esperemos que a sociedade civil africana desperte rapidamente e tome o seu destino em mãos: tenho essa esperança após ter estado muito recentemente no Senegal. Esse despertar da sociedade civil africana é a grande esperança, para não dizer a única, de África. A alegria de viver do seu povo é também um trunfo. (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Liliana Laranjo (Senegal, 2009)

Rabos de elefante

"(...) como me dizia o meu colega cirurgião Alexis Kostritski, peruano de origem russa, "mais vale ser a cabeça de um ratinho do que o rabo de um elefante". É hoje a minha filosofia de vida: pensar e decidir pela minha cabeça. Já há muitos rabos de elefante... (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença

deus(es)

"(...) Quanto a mim, penso que não é preciso ir tão longe, nem procurar noutras religiões, para se encontrar a harmonia consigo próprio!
(...)
Acredito também que é o homem que tem de se ultrapassar para aperfeiçoar o que está mal entre nós sem esperar por uma intervenção divina! (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença

Aldeia Global

"(...) Há que motivar o povo português para que perca o complexo do emigrante de mala de cartão quando só há motivo de orgulho nos nossos emigrantes! O mundo que se aproxima à velocidade da luz não aceita os povos tacanhos: esmaga-os.
(...)
Os nossos governantes são pouco viajados e pouco vividos no mundo (ainda há alguns anos vi com espanto e incredulidade ser nomeado para Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação alguém que só tinha como vivência internacional ter estado três dias de férias em Cabo Verde... e isto é só um exemplo!). A experiência é necessária antes de se poder assumir certas responsabilidades! (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença

Sobrevivência


"(...) Quanto mais viajo mais me interrogo e mais aprendo com os outros povos. E mais me dou conta da minha pequenez e da minha ignorância. Afinal somos todos uns analfabetos. Os doutores e os professores doutores, com toda a sua ciência e suficiência, metidos em certos meios como o Sara, a floresta equatorial ou os Himalaias, não conseguiriam sobreviver uma semana. Nesses meios hostis para nós, os tubus, os pigmeus e os cherpas são, sem dúvida nenhuma, os nossos professores e protectores. (...)"

Fernando Nobre - Viagens contra a indiferença
Fotografia: Liliana Laranjo (Senegal, 2009)

New York, I love you

New York, I love you - Fatih Akin, Yvan Attal, Allan Hughes, Shunji Iway, Wen Jiang, Joshua Marston, Mira Nair, Brett Ratner, Randall Balsmeyer, Shekhar Kapur, Natalie Portman

Inteiro

"Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
Porque alta vive."

Ricardo Reis

Monday, January 18, 2010

Repolho

"(...) Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo da sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa da sua feiura. Sabendo-se desprezível, apresenta-se com nomes supostos, e como exemplo cito a minha pobre avó, que conhecia seu ciúme como reumatismo. (...)"

Chico Buarque - Leite derramado

O hospital

"É o tal negócio, me arrancam da cama, me passam para a maca, ninguém quer saber dos meus incómodos. Nem bem acordei, não me escovaram os dentes, estou com a cara amassada e a barba por fazer, e com este péssimo aspecto me fazem desfilar sob a luz fria do corredor que é um verdadeiro purgatório (...). Por isso puxo o lençol e cubro meu outrora belo rosto, que logo tornam a expor para não parecer que estou morto, porque causa má impressão, ou é vexatório para maqueiro transportar defunto. Depois tem o elevador, onde todos olham sem cerimónia para a minha cara, em vez de olhar o chão, o teto, o mostrador de andares, porque também não custa nada olhar para um traste. Lá em cima vem outro corredor cheio de ziguezagues e lamentações e urros, por fim a velha sala de tomografia, e não sei a quem aproveita tamanho transtorno."

Chico Buarque - Leite derramado

Sunday, January 17, 2010

General Practitioners

Evolução

"A preocupação com o homem, ele mesmo, deve constituir sempre o principal objectivo de todo o esforço tecnológico - preocupação com os grandes e ainda insolúveis problemas de como organizar as tarefas e a distribuição dos deveres, de modo a assegurar que o resultado da nossa meditação científica seja uma benção para a humanidade, e não uma maldição."

Einstein

(in Sobre a mão e outros ensaios - João Lobo Antunes)

(in) felizes

"Os momentos felizes são semelhantes em todos os que os experimentam, enquanto cada um é infeliz à sua maneira."

Tolstoi - Ana Karenina

(in Sobre a mão e outros ensaios - João Lobo Antunes)

Sickness

"As sickness is the greatest misery, so the greatest misery of sickness is solitude."

"Assim como a doença é a maior das misérias, assim a maior miséria da doença é a solidão."

John Donne

(in Sobre a mão e outros ensaios - João Lobo Antunes)

Estatística

"Contribuição para a estatística

Em cada cem pessoas:
Sabendo tudo mais que os outros:
- cinquenta e duas,

inseguras de cada passo:
-quase todas as outras,

prontas a ajudar desde que isso lhes não tome muito tempo:
- quarenta e nove, o que já não é mau,

sempre boas porque incapazes de ser de outro modo:
-quatro; enfim, talvez cinco,

prontas a admirar sem inveja:
- dezoito,

induzidas em erro por uma juventude, afinal tão efémera:
- mais ou menos sessenta,

com quem não se brinca:
-quarenta e quatro,

vivendo sempre angustiadas em relação a alguém ou a qualquer coisa:
- setenta e sete,

dotadas para serem felizes:
- no máximo vinte e tal,

inofensivas quando sozinhas, mas selvagens quando em multidão:
- isso, o melhor é não tentar saber mesmo aproximadamente,

prudentes depois do mal estar feito:
- não mais do que antes,

não pedindo nada da vida excepto coisas:
- trinta, mas preferia estar enganado,

encurvadas, sofridas, sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas:
- mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,

justas:
- pelo menos trinta e cinco, o que já não é mau,

mas se a isso juntamos o esforço de compreender:
- três,

dignas de compaixão:
- noventa e nove,

mortais:
- cem por cento, número que, de momento, não é possível mudar."

Wislawa Szymborska

(in Sobre a mão e outros ensaios - João Lobo Antunes)

Ligação

"A ligação entre a medicina e a literatura é tão antiga como a própria medicina. Apolo, o deus da poesia, era o pai de Asclépio, o nosso deus patrono."

João Lobo Antunes - Sobre a mão e outros ensaios

"A medicina é a minha mulher legítima e a literatura a minha amante. Quando me canso de uma, passo a noite com a outra. Embora seja uma confusão, não é aborrecido, e nenhuma delas fica a perder com as minhas infidelidades. Se eu não tivesse a minha profissão de médico, seria difícil dedicar o pensamento e a liberdade de espírito à literatura."

Anton Tchékhov

O sino

"Nenhum homem é uma ilha, contida em si mesma; todo o homem é parte do continente, é parte de um todo (...) Toda a morte de um homem me diminui, porque sou parte da humanidade, e por isso nunca mandes perguntar por quem o sino dobra; ele dobra por ti."


John Donne

(in Sobre a mão e outros ensaios- João Lobo Antunes)

O grito



"Uma noite passava eu ao longo de um caminho. Estava cansado e doente - parei e olhei através do fiorde -, o Sol estava a pôr-se, as nuvens estavam coloridas de vermelho como sangue. Senti um grito passar através da natureza, parecia-me que ouvia esse grito."


Munch - O grito
(in Sobre a mão e outros ensaios - João Lobo Antunes)

Papel de parede

"Oscar Wilde, morrendo exilado num hotel miserável, num quarto forrado de um papel ridículo, preparou um grande final irónico, declarando: "Este papel de parede está a matar-me; ou vai ele, ou vou eu."

João Lobo Antunes - Sobre a mão e outros ensaios

Cinzento


"Recorda a rua muito cinzenta, o cinzento de Paris quando chove, um cinzento que invade tudo e nos penetra fundo até chorarmos. O pai costuma troçar do céu de Paris, do seu céu desbotado. "Um comprimido de aspirina. Uma folha de massa de hóstia."

(...) O céu atarraxava-lhe as têmporas como uma tampa. Ethel escrevera no diário um verso jocoso: "Lançar o comprimido ao rio para salvar Paris deste ar doentio.""


J.M.G. Le Clézio - A música da fome
Fotografia: Liliana Laranjo (Paris, 2007)

Friday, January 15, 2010

Afecto

"Nem o afecto nem a caridade são o mesmo que amizade. A amizade requer alguma comunhão de interesses e atitudes. Podemos sentir afecto por alguém que é tão diferente de nós próprios que essa pessoa não poderia ser nossa amiga."

Ian R. McWhinney

Thursday, January 14, 2010

Recompensa

"A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma."

John Ruskin

Wednesday, January 6, 2010

Patient-centered medicine

"Prescrever um medicamento é fácil - compreender um doente não é!"

Kafka

Tuesday, January 5, 2010

Alma-Ata

Cuidados de saúde primários: "assistência de saúde essencial (...) posta ao alcance de todos os indivíduos e famílias das comunidades, com a sua inteira participação, e que possa ser financeiramente mantida pelo país e pela comunidade, em todas as fases do seu desenvolvimento, num espírito de auto-responsabilidade e de auto-determinação."

Declaração de Alma-Ata (1978)

"Enquanto o desenvolvimento económico e social e os recursos destinados à segurança social e à saúde forem, nos países mais pobres ou empobrecidos, muito inferiores aos dos outros países, dificilmente se conseguirão aproximar os níveis de saúde dos diferentes povos."

Sebastião Baleiras e Vitor Ramos

Tuesday, December 8, 2009

The machinist

The machinist - Brad Anderson

Sunday, November 22, 2009

450

Fotografia: Augusto Brázio

450, [Kameraphoto]

Thursday, November 5, 2009

1

1 ano a pensar alto neste blog. Obrigado por ouvirem.

1 year thinking loud on this blog. Thank you for listening.

Gandhi

"Be the change you want to see in the world."

Mahatma Gandhi

Friday, October 30, 2009

The sheltering sky

The sheltering sky - Bernardo Bertolucci

Tuesday, October 13, 2009

Health in an unequal world (II)

"(...) we cannot consider AIDS in Africa without considering the state of women and their special vulnerability to rape and sexual violence, early and forced marriage, lack of educational access, lack of economic and learning power, lack of rights to own and inherit land or property. (...)"

Professor Sir Michael Marmot - Health in an unequal world

Health in an unequal world

"(...) a physician faced with a suffering patient has an obligation to make things better. If she sees a hundred patients the obligation extends to all hundred. And if a society is making people sick? We have a duty to do what we can to improve the public health and to reduce health inequalities among social groups where these are avoidable and hence inequitable or unfair. It is a moral obligation, a matter of social justice. (...)"

Professor Sir Michael Marmot - Health in an unequal world

Inovar

"(...) Inovação não é tecnologia, mesmo quando ela apareça como um ingrediente necessário.
Inovar é criar, empreender, imaginar, correr riscos, romper, recriar, reencontrar o fio da meada em busca de um mundo melhor.
Inovar é criar valor - coisas que as pessoas querem - na sociedade do conhecimento.
Mas inovar é também necessariamente mexer com a realidade, buscar o sentido profundo das coisas, criar espaços de auto-afirmação e estima, fazer parte. (...)"

Lisboa, saúde e inovação - Do Renascimento aos dias de hoje
(Constantino Sakellarides, Manuel Valente Alves)

Friday, October 9, 2009

Criatividade


"No sistema educativo, a criatividade é tão importante como a literacia e deveriam ser tratadas como tendo o mesmo estatuto."

"Se não estivermos preparados para errar, nunca conseguiremos ser originais."

Sir Ken Robinson

Thursday, October 8, 2009

Complexos

"(...) Se tem dificuldade em agradar é porque não é, como as suas irmãzinhas escravas, uma pura vontade de agradar; o desejo de seduzir, por vivo que seja, não lhe desceu à medula dos ossos; sentindo-se inábil, irrita-se com o seu servilismo; quer obter a sua desforra entrando no jogo com armas masculinas; fala em vez de escutar, expõe pensamentos subtis, emoções inéditas; contradiz o interlocutor em lugar de o aprovar; tenta ser-lhe superior. Mas a atitude de desafio (...) agasta os homens mais do que os domina; são, de resto, eles que a provocam com a sua própria desconfiança; se admitissem amar uma semelhante de preferência a uma escrava - como o fazem, aliás, os que, entre eles, são isentos de arrogância e de complexo de inferioridade -, as mulheres seriam muito menos obcecadas pela sua feminilidade; ganhariam com isso naturalidade, simplicidade, e sentir-se-iam mulheres sem tanto esforço, porquanto, afinal de contas, o são. (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II) (1949)

Wednesday, October 7, 2009

Confidences

Confidences - Gotan Project

Desconhecidos

"(...) Por isso se irrita, se o olhar do amante se volta um instante para uma estranha. E se ele lhe observa que ela olha para um desconhecido, ela responde: "Não é a mesma coisa." E tem razão. Um homem olhado por uma mulher nada recebe: o dom só começa a partir do momento em que a carne feminina se faz presa. Ao passo que a mulher ambicionada é de imediato metamorfoseada em objecto desejável e desejado; e a amorosa desprezada "retorna ao barro vulgar". (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II)

Liberdade

"(...) E compreende-se porque todas as comparações com que se esforçam por decidir se a mulher é superior, inferior ou igual ao homem são inúteis: as situações são profundamente diferentes. Confrontando-se tais situações, é evidente que a do homem é preferível; isto é, ele tem muito mais possibilidades concretas de projectar a sua liberdade no mundo (...)
(...) a liberdade encontra-se inteira em cada um. Porém, como permanece abstracta e vazia na mulher, esta só poderia assumir-se autenticamente na revolta: é o único caminho aberto aos que não têm a possibilidade de construir o que quer que seja; cumpre-lhes recusar os limites da sua situação e procurar abrir para si os caminhos do futuro; a resignação não passa de uma demissão e de uma fuga; não há para a mulher outra saída senão a de trabalhar pela sua libertação. (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II) (1949)

Noutro tempo (II)

"(...) O universo burocrático que Kafka - entre outras coisas - descreveu, esse universo de cerimónias, de gestos absurdos, de condutas sem objectivo, é essencialmente masculino; ela está muito mais em contacto com o real. (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II) (1949)

Regimes

"(...) "Há falsidade sempre que há regime coercivo", diz Fourier. "A proibição e o contrabando são inseparáveis, no amor como no comércio." (...)

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II)

Dependência

"(...) O rancor é o reverso da dependência: quando se dá tudo, nunca se recebe o bastante em contrapartida. (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II)

Monday, October 5, 2009

A janela

A janela - Edgar Pêra

Sunday, October 4, 2009

Memento

Memento - Christopher Nolan

Ambivalência

"(...) Na verdade, o tema da mulher enganada pela sua melhor amiga não é apenas um lugar-comum literário; quanto mais duas mulheres são amigas, mais perigosa se torna a sua dualidade. A confidente é convidada a ver através dos olhos da apaixonada, a sentir com o coração, com a carne: é atraída pelo amante, fascinada pelo homem que seduz a amiga; acredita-se suficientemente protegida pela sua lealdade para não temer os próprios sentimentos; agasta-se também quando desempenha apenas um papel secundário: logo, estará prestes a ceder, a oferecer-se. Prudentes, muitas mulheres, quando amam, evitam "as amigas íntimas". Essa ambivalência quase não permite às mulheres que confiem nos seus sentimentos recíprocos. (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II)

Saturday, October 3, 2009

Poupées

"(...) As roupas do homem, como o seu corpo, devem indicar a sua transcendência e não deter o olhar; para ele, nem a elegância nem a beleza consistem em constituir-se objecto; por isso não considera, normalmente, a aparência como reflexo do seu ser.
Pelo contrário, a própria sociedade pede à mulher que se faça objecto erótico. O objectivo das modas, às quais está escravizada, não é revelá-la como um indivíduo autónomo, mas sim privá-la da sua transcendência para oferecê-la como uma presa aos desejos masculinos; não procura servir os seus projectos, mas, antes, entravá-los. A saia é menos cómoda do que as calças, os sapatos de salto alto atrapalham o andar; os vestidos e os escarpins menos práticos (...); o vestido, quer fantasie, deforme ou modele o corpo, em todo o caso expõe-no aos olhares. Por isso é a toilette um jogo encantador para a menina que deseja contemplar-se; na idade ingrata, hesita entre o desejo e a recusa de se exibir; quando aceita a vocação de objecto sexual, compraz-se em se enfeitar. (...)"

Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II) (1949)

Thursday, October 1, 2009

Amor

" (...) O ideal seria (...) que dois seres humanos, cada um bastando-se a si próprio perfeitamente, se amarrassem um ao outro por espontânea vontade. (...)"


Simone de Beauvoir - O segundo sexo (II)